Multiculturalismo: SumUp aposta no intercâmbio de talentos para fortalecer uma cultura diversa e colaborativa

Fintech dá espaço para que brasileiros construam carreira nos 36 mercados onde atua e também abre as portas para talentos estrangeiros trabalhem no país

A SumUp, empresa global de tecnologia e soluções financeiras, têm mostrado forte atuação no Brasil, e carrega em seu DNA a influência multicultural dos 36 mercados onde opera. Uma das iniciativas que contribuem para a construção de um ambiente colaborativo e diverso é o incentivo para que profissionais brasileiros atuem em outros países. Com esse intercâmbio, a fintech possibilita uma troca profissional e cultural valiosa para o crescimento e desenvolvimento dessas pessoas.

Essa dinâmica é de mão dupla: a operação local da companhia também recebe profissionais estrangeiros, fortalecendo ainda mais o ambiente diverso e global da organização.

Raquel Velloso é diretora de operações da SumUp nos Estados Unidos, baseada em Boulder, Colorado, onde lidera áreas como suporte ao cliente e logística. Sua trajetória na empresa começou em 2019, no Brasil, atuando justamente nesses mesmos setores. Durante uma visita à sede americana da SumUp, conheceu Boulder e se encantou com a cidade. Quando engravidou, em 2023, a ideia de criar o filho em um ambiente com natureza exuberante, boa infraestrutura e mais tranquilidade foi determinante para sua mudança definitiva.

Para Raquel, o fato de já fazer parte da SumUp facilitou muito sua transição para a operação americana. “A cultura da SumUp se mantém ao redor do mundo. É claro que há variações, pois os produtos mudam de mercado para mercado, mas tudo que aprendi no Brasil me preparou melhor para esse novo contexto”, afirma. O conhecimento prévio da empresa, além do networking construído ao longo dos anos, permitiu que ela contribuísse rapidamente com melhorias e se integrasse com mais agilidade ao time local.

Entre as diferenças culturais que mais chamaram sua atenção, Raquel destaca a comunicação direta dos americanos. “Sempre fui muito direta. Aqui, isso foi um ponto a meu favor”, diz. Ao mesmo tempo, ela faz questão de trazer para o ambiente de trabalho um traço típico brasileiro: a proximidade entre colegas. “Nós, brasileiros, tendemos a criar laços pessoais mais fortes. Essa conexão gera vulnerabilidade e relações mais significativas, o que acaba refletindo positivamente na qualidade do trabalho.”

De acordo com Raquel, a presença global é vantajosa em vários aspectos. “O intercâmbio de informações entre os 36 mercados em que a fintech atua é um diferencial competitivo que nos permite criar soluções financeiras valiosas para clientes do mundo todo”, diz.

Outro talento exportado é Evelyn Bueno, Global Regulatory Counsel da SumUp em Londres, onde atua diretamente com associações, legisladores e órgãos reguladores do setor financeiro nos diversos países em que a fintech opera. “Meu papel é promover o diálogo entre empresas do setor, entidades regulatórias e governos para que possamos construir um mercado mais eficiente e oferecer soluções financeiras ainda melhores para os empreendedores que atendemos”, explica.

Evelyn ingressou na SumUp em 2019 como diretora jurídica no Brasil, onde já mantinha contato próximo com reguladores locais. Em 2023, surgiu a oportunidade de expandir esse trabalho em escala internacional. “Sempre sonhei em morar fora, mas isso parecia inviável no passado, principalmente pelos custos envolvidos. Quando a chance de me realocar para Londres apareceu, agarrei com força”, conta. A mudança marcou não apenas uma nova fase pessoal, mas também profissional, ao assumir um papel estratégico no relacionamento global da empresa com o ecossistema regulatório.

No ambiente de trabalho britânico, Evelyn notou diferenças marcantes. “Aqui, os profissionais são mais reservados quanto à vida pessoal. Isso pode dificultar a criação de vínculos de confiança que ajudam no dia a dia, mas por outro lado, há um respeito maior à privacidade – ninguém se envolve em detalhes da sua vida.” Ela também aponta a menor espontaneidade como um traço cultural local. “Com apenas alguns meses de sol por ano, os britânicos se programam com muita antecedência, inclusive para o lazer. Isso se estende às relações pessoais: às vezes é preciso marcar um encontro com meses de antecedência. No Brasil, somos mais flexíveis e acostumados com o improviso”, conclui.

Caroline Navarro Pires, especialista de CRM na SumUp em Berlim, Alemanha, é responsável por gerenciar o relacionamento entre a empresa e seus clientes. Morar no exterior sempre foi um desejo de Caroline, e a SumUp a ajudou a realizar esse sonho. Inclusive, uma das razões que a levaram a se juntar à SumUp Brasil, em 2020, foi a possibilidade de trabalhar em outros países. “Sempre tive vontade de morar na Europa. Quando vi que a SumUp era uma empresa global e que outras pessoas já tinham feito esse movimento, percebi que era um lugar onde isso podia virar realidade”, conta.

Segundo ela, a SumUp apoiou sua mudança oferecendo auxílio para a realocação, incluindo auxílio com moradia, documentação e consultoria para o processo de visto. Na Europa, Caroline descobriu o que é trabalhar com um time multicultural – não havia nenhum alemão em sua equipe, vale dizer. “Aprendo muito com pessoas que têm origens muito diferentes da minha. Aprofundei meu conhecimento não só sobre CRM, mas sobre o mundo”, afirma.

Entre os contrastes que mais chamaram sua atenção, Caroline destaca o ritmo dos processos na Europa. “Vejo que projetos levam mais tempo para serem lançados aqui do que no Brasil. Por outro lado, o modelo traz mais organização e clareza quanto ao que é prioritário e ao que não é.”

Outro ponto marcante da cultura de trabalho europeia é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Aqui, as pessoas realmente se desconectam ao fim do expediente e separam melhor o horário de trabalho do momento de descanso, algo que é menos comum no Brasil. Esse equilíbrio me permitiu cuidar de mim e da minha saúde mental”, finaliza.

Além de oferecer oportunidades para brasileiros no exterior, a SumUp recebe profissionais estrangeiros em sua operação local. Um deles é o francês Bruno Emsellem, vice-presidente de engenharia da fintech no Brasil. Ele decidiu atravessar o oceano para viver fora da França e sair da zona de conforto. “Já trabalhei em startups, fui CTO, fundei negócios, quebrei algumas vezes. Mas ainda não tinha tido a experiência de morar fora”, conta o executivo, que ingressou na SumUp em 2021, após a incorporação da Tiller, empresa em que atuava.

O Brasil, segundo Emsellem, não estava no topo da sua lista de lugares para se mudar. Mas a SumUp buscava alguém experiente para liderar seu time de engenharia no país, e ele resolveu encarar o desafio. “Gosto da sensação de me jogar no desconhecido, tanto pessoal quanto profissionalmente. Por isso, decidi me mudar para São Paulo”, afirma.

Desde então, Bruno se encantou com a diversidade brasileira. “O país tem uma variedade incrível de pessoas, paisagens e culturas. Essa mistura é rica e valiosa”, diz. A gastronomia também o surpreendeu: “É muito mais diversa do que eu imaginava. Hoje até meu café da manhã é mais saudável graças à influência brasileira.”

No ambiente de trabalho, ele percebeu diferenças culturais significativas entre o Brasil e a Europa. “Aqui, as decisões tendem a ser mais emocionais e demoradas. Existe uma preferência por evitar confrontos diretos, o que muda bastante a dinâmica das discussões.” Para se adaptar, Emsellem diz ter desenvolvido mais empatia e adotado uma comunicação mais cuidadosa. Ele também ressalta que o mercado brasileiro é muito dinâmico e inovador. "O Banco Central está promovendo diversos produtos financeiros, como o Pix. Com isso, pagamentos em dinheiro não são mais tão populares aqui. Fiquei surpreso ao ver um ambulante vendendo pulseiras na praia aceitando pagamentos em Pix. Na Europa, eles prefeririam receber em dinheiro."

Ele também valoriza o ambiente diverso da fintech. “Acredito que a SumUp no Brasil cria espaço para as pessoas serem quem realmente são, e isso é raro.”

"Para nós, a diversidade de culturas e nacionalidades é uma necessidade estratégica. É a partir dessa mescla rica de experiências e pontos de vista que somos impulsionados a ser uma empresa mais ágil e adaptável às demandas de um mercado global. Essa sinergia nos permite inovar com mais profundidade, conectar-nos de forma mais autêntica com nossos colaboradores e, fundamentalmente, impulsionar o crescimento de cada um de nossos talentos, tornando-os profissionais ainda mais completos", explica Mariana Pimenta, head de People para o Brasil na SumUp.